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Projeto

AÇÕES DO SUBPROJETO DE LETRAS

 1. LEITURAS DO CONTEMPORÂNEO

Permitir ao licenciando, por meio da disciplina Leituras Orientadas do curso de Letras do IFF e de oficinas pedagógicas, leitura sistematizada de textos contemporâneos, quase sempre preteridos das matrizes curriculares da Educação Básica da rede pública de ensino em Campos dos Goytacazes.

2. RECONHECENDO GÊNEROS E REGISTROS LINGUÍSTICOS

Apresentar os diferentes gêneros textuais e literários e os distintos registros linguísticos empregados na elaboração de textos ao licenciando, que por sua vez, trabalhará esse conteúdo com os alunos da escola parceira de modo a reforçar sua aprendizagem e a ampliar suas possibilidades de expressão nos diversos níveis de linguagem.

3. DIALOGISMO LITERÁRIO

Promover, em aulas do curso de Letras do IFF e em momentos próprios orientados pela coordenação do projeto, debates envolvendo textos que permitam o estabelecimento de relações dialógicas entre produções canônicas e contemporâneas, possibilitando ao licenciando embasamento para posteriores discussões com os alunos da educação básica.

4. TRABALHANDO OUTRAS LINGUAGENS

Por meio de recriações em outras linguagens artísticas (música, teatro,     desenho, cinema, pintura), estimular releituras de textos. Essas recriações deverão ser expostas e apresentadas em feiras culturais e artísticas promovidas pelo IFF e pela escola parceira.

5. APRIMORANDO A HABILIDADE LEITORA COM VISTAS AO ENEM

Tendo em vista o baixo rendimento das instituições públicas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), especialmente na área de Linguagens e em Redação,  e considerando que as provas de todas as áreas desse exame são baseadas em textos, aprimorar a competência leitora poderá auxiliar na melhoria dos desempenhos discente e institucional. Portanto ao licenciado caberá estudar as provas do Enem e resolvê-las junto aos alunos do Ensino Médio da instituição parceira.

6. ESTUDOS INTERDISCIPLINARES SOBRE CTSA

Realizar estudos interdisciplinares, que abranjam as áreas dos subprojetos do IFF, sobre Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (CTSA) por meio de textos que abordam temas científicos e tecnológicos potencialmente problemáticos para a nossa região, tais como as atividades de exploração de petróleo e produção de açúcar e álcool.

7. DESVENDANDO A LINGUAGEM CIENTÍFICA

Destacar a relevância da ciência e da tecnologia no mundo atual tendo o texto como ponto de partida, o qual permite que se explorem seus termos, expressões, frases, para melhor compreensão do mundo que nos cerca. Para divulgação, notadamente da linguagem científica, pretende-se realizar debates, oficinas, feiras, jornais – atividades que possibilitam o desenvolvimento das habilidades de leitura, fala e escrita bem como o reforço do ensino das salas de aula da instituição parceira.

8. A CONTRIBUIÇÃO DAS OFICINAS PEDAGÓGICAS

Realizar oficinas pedagógicas nas quais ocorram discussões temáticas envolvendo bolsistas Pibid e coordenadores das áreas contempladas no projeto institucional de modo a contribuírem para um ensino mais criativo, lúdico e instigante.

9. ATIVIDADES COMPARTILHADAS NO LIFE

Considerando a aprovação pela CAPES da proposta do Instituto Federal Fluminense campus Campos-Centro de criação do LIFE (Laboratório Interdisciplinar de Formação de Educadores), é de fundamental importância a utilização desse espaço interdisciplinar por licenciandos do IFF (bolsistas Pibid) e alunos do Ensino Médio da escola parceira, a fim de que se desenvolvam metodologias e materiais didáticos que possibilitem um processo de ensino consistente e prático, resultando numa aprendizagem mais significativa.

 

 

 DESENVOLVIMENTO DO SUBPROJETO DE LETRAS- 2014

 

I-PRIMEIRA ATIVIDADE:

 

Durante o mês de março, as bolsistas pesquisaram a história da escola para que elaborassem um vídeo que seria apresentado para os alunos.

No dia 4 de abril de 2014 às 9 horas, foram iniciadas as atividades do PIBID/Letras no Colégio Julião Nogueira com a participação do coordenador institucional, da coordenadora de área, do supervisor na escola, das cinco licenciandas do curso de Letras do IFF, da direção da escola e dos alunos do 1º, 2º e 3º ano do Ensino Médio.

As boas vindas e apresentação do PIBID foram dadas pela professora Ana Clara  (supervisor dos alunos) na sala de Multimídia da escola.

As licenciandas falaram sobre a importância do projeto de Letras, contaram a história da escola aos alunos e apresentaram um vídeo que elaboraram sobre isso (https://www.youtube.com/watch?v=Pjx87bjtEIA&feature=youtu.be). Em seguida, leram um texto de Clarice Lispector (“O sonho”) para que os alunos ficassem motivados a escrever, em uma folha, o sonho (relativo à continuidade dos estudos – ingresso em universidades, por exemplo, e escolha da profissão)   que desejavam realizar em um futuro próximo. As alunas colocaram os papéis em uma “cápsula do tempo” e combinaram com eles que, no próximo ano, abrirão esta “cápsula” e todos lerão o que escreveram  para ver se seus sonhos estão a caminho ou realizados. Os alunos concludentes do Ensino Médio serão convidados a voltar à escola e falar sobre isso, a dar depoimentos de como as atividades do projeto contribuíram para a realização de seus sonhos.

Houve uma boa participação dos alunos do Ensino Médio, que, motivados tanto pela apresentação quanto pelas palavras motivadoras das alunas, interagiram com todos os integrantes do PIBID, demonstrando assim o interesse em participar das atividades do  projeto de Letras nessa escola. 

 II-SEGUNDA ATIVIDADE:

 

As alunas elaboraram os simulados que visam à preparação para o Enem das três séries do Ensino Médio da escola e aplicaram os testes em algumas turmas com o auxílio do professor. Após esta tarefa, corrigiram as questões objetivas e as produções textuais com o objetivo de perceber as dificuldades dos alunos da escola a fim de que, no próximo semestre, possam elaborar atividades para auxiliar na aprendizagem.

III- TERCEIRA ATIVIDADE- MAIO E JUNHO DE 2014:

 

Desenvolvimento do projeto de incentivo à leitura. 

O objetivo deste primeiro contato com os alunos é provocar o prazer pela leitura de textos verbais e não verbais: músicas, charges, tirinhas, contos, crônicas, filmes, vídeos do youtube... Provocar a reflexão, estimular a fala dos alunos sobre os temas, relacionar alguns trechos dos textos com conteúdos que eles já viram, mas sem muita teoria, em tom de conversa. No próximo semestre, daremos ênfase a algumas questões de cada série com teoria e prática. No momento, o objetivo é fazer com que se apaixonem pelos textos e sintam-se interessados pela leitura.

A nossa tarefa agora é essa: fazer estes jovens se apaixonarem pelas palavras

 

Primeiro ano: conto de fadas, filme, conto de fadas politicamente correto, conto atual.


CINDERELA

Era uma vez uma pré-mulher (menina) chamada Cinderela, cuja mãe verdadeira morrera quando ela era pequena. Poucos anos depois, seu pai casou-se com uma viúva que tinha duas filhas. A mãe por enlace matrimonial paterno e não por consangüidade (madrasta) de Cinderela tratava-a cruelmente e, suas irmãs-não-carnais (meias-irmãs) faziam com que ela trabalhasse duro, como se fosse uma trabalhadora-afro-americana-sem-proventos (escrava).

Um belo dia chegou pelo correio um convite. O príncipe estava celebrando a exploração dos sem-teto e dos marginalizados com um grande baile à fantasia. As irmãs-não-uterinas de Cinderela focaram radiantes de serem convidadas ao Palácio Real. Começaram a sonhar com roupas carérrimas que usariam para modificar a imagem natural de seus corpos, em função de um falso padrão de beleza feminina (o que, no caso delas, era perda de tempo). Sua mãe-não-natural também planejava ir ao baile, e Cinderela trabalhava como um cão (não que isto significasse qualquer demérito para com nossos companheiros caninos). 

Quando o dia do baile chegou, Cinderela ajudou sua mãe-não-genitora e suas irmãs-não-consangüíneas horizontalmente avantajadas (gordas) e esteticamente defierentes (feias) a pôr seus vestidos de baile. Quase foi preciso pedir a intervenção do exército para executar a operação. Em seguida, veio a sessão de maquiagem, que é melhor não ser descrita. Quando a noite chegou, elas foram para o baile e deixaram Cinderela para terminar o serviço de casa. Ela ficou triste, mas se consolou ouvindo seu disco de salmos do Cid. Moreira.

De repente, fez-se um clarão e, diante de Cinderela, apareceu um homem vestido um colant de lycra roxa, todo trabalhado com miçangas e paetês, usando um chapéu de abas largas enfeitado com plumas e carregando na mão uma varinha de condão, coberta de purpurina e com uma estrelinha na ponta. De início, Cinderela pensou que se tratava de uma Drag Queen, mas ele foi logo se apresentando: “Olá Cinderela, sou sua fada madrinha”.

Cinderela percebeu de imediato que o rapaz havia feito uma opção sexual alternativa como ser humano adulto e consciente que era, e que não cabia a ela qualquer comentário irônico sobre o fato. A fada-madrinha-alternativa continuou: “Você quer ir ao baile, não é, fofa? E está disposta a se submeter ao conceito masculino de beleza, e se apertar numa mini justíssima, que vai lhe impedir de sentar com conforto e prejudicar a sua circulação? Espremer os pés em sapatos num salto altíssimo, que vai arruinar sua estrutura óssea e transformar sua coluna numa sanfona? Pintar seu rosto com produtos químicos e maquiagem, camuflando todos os seus traços naturais? Fazer uma lipo e tirar um pouco dessa barriguinha, deixando você toda roxa e dolorida? E também colocar um pouco de silicone nesses peitinhos para transformá-los em dois melões duros e voluptuosos?”

“Claro que quero!”, disse ela rapidinho. Sua fada-madrinha-consciente-e-assumida então suspirou fundo e decidiu adiar sua educação política para outro dia. Com seus poderes mágicos, ele a envolveu numa linda luz brilhante e a transportou para o Palácio Real. 

Centenas de carruagens faziam filas intermináveis diante do palácio naquela noite (aparentemente, ninguém por ali conhecia manobreiros). Numa carruagem dourada, puxada por uma parelha de cavalos exageradamente enfeitados, chegou Cinderela. Ela usava um vestido justo, feito com uma seda deslumbrante, roubada de inocentes bichos-da-seda. Seu cabelo estava preso com guirlandas de pérolas, produzidas por ostras exploradas. E em seus pés, embora possa parecer mentira, ela usava sapatinhos feitos do mais puro cristal. (Evidentemente eram totalmente desconfortáveis, mas o contrato assinado com o fada madrinha exigia os calçados de cristal para não desvirtuar totalmente esta história e com isso afetar as vendas do livro e sua inevitável adaptação parta uma minissérie na Globo.)

Quando Cinderela entrou no baile, todas as cabeças se viraram. Os homens olhavam e desejavam aquela mulher que capturava perfeitamente seu ideal Barbie de beleza e feminilidade. As mulheres da sala, treinadas desde pequenas a desprezar seus próprios corpos, olharam com despeito e inveja. A mãe-espete e as irmãs-refil de Cinderela, mortas de despeito, sequer a reconheceram.

Os inquietos olhos do príncipe, que contava piadas sexistas e discutia futebol com os velhos da corte, logo foram atraídos por Cinderela. E, quando a viu, assim como a maioria das pessoas, o príncipe teve que fechar a boca para não babar.  “Eis aqui”, pensou ele, “uma garota que eu poderia tomar como minha princesa e engravidá-la com uma boa safra de meus espermatozóides perfeitos, tornando-me assim objeto de inveja de todos os príncipes da terra. E, além do mais, que avião!”

O príncipe começou a atravessar o salão em direção à sua presa. O mesmo fizeram todos os homens da sala com menos de setenta anos (acima dessa faixa, só os que se locomoviam sem a ajuda das esposas). Até os garçons abandonaram as bandejas e foram ver de perto aquela mulher. Cinderela adorou a comoção que criara. Andava de cabeça erguida e se portava como uma dama de alta condição social. Mas logo ficou claro que a comoção estava degringolando e se tornando disfunção social.

O príncipe deixou claro para seus amigos que queria “papar” aquela jovem. E isso aborreceu a rapaziada, que também planejava passar na cara aquela apetitosa loura. O duque, que era meio débil, mas bem mais forte que o príncipe, interrompeu-o no meio do salão e declarou que Cinderela era dele. Que já estava no papo! A resposta do príncipe foi um chute no meio das pernas do duque, que o deixou falando fino e temporariamente fora do páreo. Começou-se um empurra-empurra, e o príncipe foi agarrado por homens enlouquecidos sexualmente, até que desapareceu numa pilha de animais humanos. A violência tomou conta do salão, e o baile à fantasia parecia mais um “baile funk”, com farta distribuição de tapas, socos e pernadas. Até representantes do clero entraram na briga para defender seus interesses. Alguns afro-garçons (garçons negros) improvisaram um rap pela não-violência, mas não conseguiram nenhum apoio das gravadoras, interessadas apenas na cultura branca opressora.

Essa demonstração viva de força da testosterona assombrou as mulheres, que, embora tentassem, não conseguiam separar os combatentes. Para elas, estava claro que Cinderela era a causa do conflito. Então a cercaram e começaram a demonstrar sua hostilidade. Cinderela tentou escapar, mas os sapatinhos de cristal atrapalharam sua corrida. Sorte dela que as outras também tinham sapatos apertados.

A confusão era tanta, que ninguém ouviu o relógio bater meia-noite. Quando a última badalada soou, o lindo vestido e os sapatinhos de Cinderela desapareceram, e ela se apresentou novamente esfarrapada em seus trajes de camponesa e suas irmãs-de-araque reconheceram-na de pronto, mas se calaram, para evitar constrangimento.

Com essa transformação mágica, as mulheres silenciaram. Livre do confinamento de seu vestido e de seus sapatos apertados, Cinderela suspirou, coçou as costelas, esfregou os pés e depois cheirou a mão, para ver se estavam fedidos. Fez tudo sem se importar com os modos grosseiros para uma moça, e disse: “Matem-me agora se quiserem, garotas. Pelo menos vou morrer confortavelmente.” 

A inveja tomou conta outra vez das mulheres, mas, em vez de se vingarem dela, arrancaram seus corpetes, sutians, sapatos e tudo que as prendia e confinava. Pularam e gritaram de pura alegria, sentindo-se soltas e desinibidas finalmente, sem roupas e com os pés descalços.Se os homens tivessem ao menos olhado, lá de sua troca de socos machista e destrutiva, teriam visto muita mulher pelada, pronta para a cama. Mas eles não cessavam de se esmurrar, bater, chutar e agarrar, até que morreram todos, até o último.

As mulheres não sentiram remorso. O palácio e o reino eram delas agora. Seu primeiro ato oficial foi vestir os homens que sobraram com as roupas delas e obrigaram-nos a fazer ginástica, dieta, tirar cutículas, usar hidratantes a base de colágeno e freqüentar salões de beleza! Seu segundo ato foi montar uma cooperativa que só produzia roupas femininas confortáveis, incluindo sutiãs e calcinhas que já vinham frouxos da fábrica. Nova confecção foi batizada de “Cindy-Roupas”. Com o sucesso, Cinderela, sua mãe-de-araque, suas irmãs-de-bosta e todas as mulheres do reino se deram bem e viveram felizes para sempre.

 GARNER, James Finn. Contos de Fadas Politicamente Corretos – Uma Versão Adaptada aos Novos Tempos. Tradução e adaptação de Cláudio Paiva. 3a. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999.

Segundo ano: textos de diversos gêneros textuais sobre o tema AMOR.


Terceiro ano: textos – ESTUDO ERRADO (Gabriel, o Pensador) e filme para discussão oral sobre escola, método de ensino.

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